Franquias em expansão

Abrir uma empresa com marca consolidada e fórmula de sucesso pronta é um atrativo cada vez maior aos empreendedores brasileiros. Este ano, o setor de franquias deve faturar R$ 87,3 bilhões, 15% a mais que em 2010

São Paulo – Com expectativa de faturar R$ 87,3 bilhões em 2011, 15% a mais do que no ano passado, o setor de franquias tem sido uma opção atrativa para quem deseja abrir o próprio negócio. Os números impressionam. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o número de redes chegou a 1.855 no último ano, gerando 777.285 empregos diretos em 86.365 pontos de venda espalhados pelo país.

– O sistema está maduro. Ou seja, há muitas empresas crescendo e já com um nível de capacitação e posicionamento de suas marcas bastante avançado – avalia o presidente da ABF, Ricardo Figueiredo Bomeny.

O processo é relativamente simples. Ao adquirir os direitos de uso de uma marca, o empreendedor recebe o caminho das pedras para a gestão da empresa. A facilidade na obtenção de crédito para o setor é um dos fatores que, na opinião de Bomeny, proporcionaram esse boom no mercado de franquias, que na última década viu saltar de 600 para mais de 2 mil (previsão pra 2011) o número de redes.

– Há 10 anos, você não tinha crédito para esse setor. Através de convênios que a ABF foi fazendo, com bancos federais e privados, isso se tornou realidade.

Além disso, segundo o presidente da entidade, o Super Simples, sistema tributário no qual enquadram-se boa parte das empresas franqueadas, foi outro fomentador para o crescimento, aliado a uma maior distribuição de renda no país com a ascensão da chamada “nova classe média”, que aumentou o consumo.

Feira – As cifras da 20ª ABF Franchising Expo, segunda maior feira de franquias do mundo, ficam atrás apenas da França e confirmam o excelente momento pelo qual passa do setor. Durante quatro dias, 420 expositores apresentaram seus produtos em um pavilhão de 27 mil metros quadrados na Expo Center Norte, em São Paulo. A expectativa é que, a partir do evento, sejam fechados negócios na casa dos R$ 300 milhões.

As 46,7 mil pessoas que passaram pelos corredores do centro de exposições puderam conferir detalhes e tirar dúvidas a respeito de cada uma das marcas. Setores como alimentação, vestuário, cosméticos e ensino são os mais promissores, segundo Bomeny. O investimento inicial varia conforme o tamanho do negócio. O valor pode ir de R$ 5 mil para uma clínica estética de fotodepilação, a mais de R$ 1,2 milhão para um restaurante.

– Outro vetor relativamente novo é o que chamamos de microfranquia, cujo investimento é até R$ 50 mil. Essas franquias, até pelo tamanho do investimento, têm crescido também nos últimos anos. Boa parte são de prestação de serviço – conta Bomeny.

Proprietário da Trópico Surf e diretor regional Sul da ABF, Gustavo Schifino diz que o Rio Grande do Sul ainda engatinha no sistema de franquias. Responsável por 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o Estado respondia, há cerca de um ano, por menos de 3% do faturamento de franchising no Brasil. Atualmente, o percentual é de 5%. Hoje, são 38 as marcas gaúchas franqueadoras, mas ainda há espaço, garante Schifino:

– O gaúcho em geral é mais reticente, tende a não acreditar nessas parcerias de negócio. Ele normalmente quer fazer o seu. Que seja pequeno, mas que seja seu. Mas o que a gente vê prosperando no mundo inteiro é esse sistema cooperativado de mais pessoas investirem e se ajudarem. Franchising nada mais é do que isso: um sistema cooperativado de desenvolvimento, onde alguém que detém o know how, que já fez esse negócio dar certo, ensina outros como obter o mesmo sucesso.

Para o empresário, o sistema de franquias é o ideal para quem pretende se lançar como empreendedor.

– O Sebrae tem um estudo de mortalidade que diz que 93% dos negócios autônomos morrem até o décimo ano. No franchising, o índice é de 9%. Existe um gap de sucesso bem diferente. Isso ocorre porque o franqueador é mais seletivo, não aceita alguém que entre só para se aventurar. Ele protege a marca. E, mais ainda, ele tem o caminho das pedras, já experimentou e já errou muito e evita que quem está empreendendo cometa os mesmos erros que ele já aprendeu com a sua história – avalia.

Expansão – Aos poucos, negócios franqueados se disseminam em shopping centers, galerias comerciais e no comércio de rua. Em Caxias do Sul, por exemplo, a Doutor Resolve rede de franquias do setor de reparos e reformas em imóveis, que atua nas áreas elétrica, hidráulica, alvenaria, chaveiro, jardinagem, pintura e marcenaria, negocia atualmente operações com três interessados, que viram na falta de trabalhadores especializados uma brecha para abrirem seus negócios.

– Observa-se uma dificuldae muito grande em encontrar mão de obra treinada. Tem eletricistas muito bons, mas muitas vezes não sabem se gerenciar sozinhos. O que a Dr. Resolve faz: pega o profissional, treina-o e contrata-o, para oferecer ao consumidor um trabalho mais qualificado – explica Marcos Ferreira, diretor regional para Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

No mercado há apenas 10 meses, a Doutor Resolve já abriu 185 franquias no país. Além de Caxias, há dois interessados em Bento Gonçalves, dois em Farroupilha e um em São Marcos. Nenhuma loja está aberta até o momento.

Com a meta ousada de chegar a 500 pontos de venda no país até 2014 (atualmente são 160), a Havaianas, uma das mais famosas marcas de calçados do Brasil, tem em seus planos a expansão para o Sul no segundo semestre de 2012. Pensando nas baixas temperaturas, o gerente de expansão da marca, Ivan Marcos Ferreira, diz que a rede aposta em produtos sazonais, como sneakers (tênis com cano alto), alpargatas e sapatilhas. A rede produz também itens exclusivos para franquias, como sandálias com tiras cravejadas de cristais Swarowski, cujo preço chega aos R$ 340.

* O jornalista viajou a São Paulo a convite da ABF.

(Diego Adami)

Leia a matéria original em:http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3356291,1228,17353,impressa.html
 

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